Ilhéus: Pequenos eventos, grandes negócios

Produzir, organizar eventos, mais especificadamente grandes shows, sempre foi uma profissão instável, arriscada.
Se tratando de cidades menores, mais ainda. Muitas vezes fãs de determinados artistas imploram pela vinda deles, mas não fazem ideia da dificuldade e processo que é para que isso aconteça. Não é tão simples quanto parece, para organizar um grande show, é necessário um extremo planejamento.

Mas não entrarei em detalhes quanto a isso agora. O fato é que com o passar do tempo, os artistas lucraram cada vez mais e os produtores locais cada vez menos e com grandes riscos de prejuízo.

Além disso, as pessoas estão cada vez mais seletivas para onde vão, escolhem bem onde aplicará seu dinheiro, buscando diversas outras formas de lazer e entretenimento. Outro fator atual (quase clichê), é a crise financeira que o país vem enfrentando nos últimos anos.

Mas as pessoas não deixaram de ir para as festas, pelo contrário. Existe um elemento que eu destacaria como principal para a redução de público em eventos com grandes atrações. Hoje, a proximidade com o artista é grande através das redes sociais, o contato direto, a fácil comunicação, o acesso a vídeos em tempo real, clips e shows com alta qualidade disponíveis no youtube, faz com que as pessoas sintam cada vez menos a necessidade de irem a shows para verem seus ídolos.

A bola da vez são os pequenos e médios eventos, baladinhas, festas universitárias, paredões, etc, com foco para outros atrativos que não são os artistas. As pessoas querem ir aos eventos para beber, de preferência aqueles que são ‘open bar’,  querem ver, serem vistos, paquerar, encontrar amigos, colegas, tudo que se faz em qualquer festa, menos ir para ver o cantor, isso é papel dos fãs de carteirinhas. Portanto, quem tem se dado bem são os pequenos produtores, que tem focado em divulgação segmentada, lucro imediato e sem grandes riscos.

São inúmeros os eventos com grandes artistas de nível nacional que foram noticiados por conta do baixo público, paralelo a isso, diversas festas pequenas que bombam.

Os produtores estão cada vez mais cautelosos, com o pé no freio e pensando bem, fazendo mil cálculos com mil e uma possibilidades antes de fechar uma grande atração. Observem alguns eventos que já eram consolidados e tiveram sua edição cancelada.

Os grandes shows continuarão a acontecer, mas sem grandes apostas, contando com atrações que estão realmente no topo, com um retorno previsto quase certo, mas ainda assim, com grande possibilidade de frustração.

Jhonnis Melgaço

Jhonnis Melgaço

Diretor executivo do Ilhéus Eventos

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